terça-feira, 9 de outubro de 2012

Um macaquito chamado Veludo



No coração de África, não muito longe de uma estrada de terra bem batida, há um pequeno lago. É, na realidade, mais uma lagoa do que um lago. Esta lagoa tornou-se um bebedouro para a vida selvagem que vive naquela  área. Aqui vivem alguns peixes, por vezes um crocodilo ou dois, e ocasionalmente, um pequeno grupo de hipopótamos que ali encontra alívio do sol escaldante Africano.  
  
  
A área à volta do lago serve de lar temporário para manadas de impalas e para um pequeno grupo de macacos-vervet, por vezes também chamados de macacos-verdes. Todos os dias os macacos se reúnem em torno do lago para apanhar insetos ou colher sementes e rebentos de erva que eles gostam de comer. E também bebem a água da lagoa.
 
   
Entre os macacos jovens do grupo um cujo rosto é particularmente macio. Os seus amigos chamam-lhe Bochechas de Veludo. Alguns chamam-no de Veludo. Outros chamam-lhe de Bochechas, mas ele não gosta que lhe chamem de Bochechas. Ele prefere ser chamado de Veludo. É assim que sua mãe o chama. Ele gosta assim.

Faz muito calor neste dia em particular. Ainda estamos no início da manhã mas o sol já está muito quente. Veludo tem sede. Ele pensa na água doce da lagoa, mas decide não ir até à beira da lagoa beber. A lagoa é conhecida por ter crocodilos e ele não vai correr nenhum risco. Ele decide, então lamber as gotas de água suspensas nas folhas das ervas que crescem por ali. Esta água é muito fresca e limpa. Foi deixada nas folhas das ervas pelas fortes chuvas da noite anterior.

E assim Veludo satisfaz a sua sede lambendo a água da chuva das folhas das ervas. A certa altura ele percebe que um dos seus amigos se aproxima dele e decide sentar-se atrás dele perto de sua cauda. Veludo conhece este outro macaquito. Ele é seu amigo e não se importa. Está entretido a beber as gotas de água que lhe matam a sede. Num gesto calmo o seu amigo pega na ponta da cauda do Veludo e com ternura começa a alisar com os dedos os seus pelos macios. Veludo sente-se bem com estes gestos de ternura e confiança.

Então, de repente, o seu amigo leva a ponta da cauda do Veludo à boca e dá-lhe uma dentada. Não foi uma mordidela feroz, mas foi uma boa mordidela mesmo assim. Veludo assuta-se, grita e pula no ar libertando a sua cauda dos dentes e unhas do seu amigo. Ele aterra bem na frente do seu amigo que decide fugir, porque imagina que o Veludo o queira morder de volta.

Veludo persegue o amigo à volta da lagoa até ao outro lado e de volta outra vez. Está mesmo disposto a dar ao seu amigo uma boa mordidela de volta, mas não consegue apanhá-lo. No final desta correria toda eles estão de volta ao ponto de partida. Ambos estão cansados ​​e ambos estão agora com muito mais sede. Eles resolvem sentar-se pacificamente entre as ervas, não muito longe um do outro,  e começam a matar a sede lambendo as gotas frescas de água que foram deixadas nas folhas tenras das ervas pelas fortes chuvas da noite anterior.

domingo, 5 de agosto de 2012

00 - Temas presentes e futuros

Há muita coisa a explorar neste blogue.
 
Comecei com temas sobre construção de habitações, mas irei adicionando outros temas com frequência. De momento tenho estas ideias e artigos publicados neste blog:
  • 00 – A ideia inspiradora
  • 00 – Ideias a explorar
  • 00 – Temas presentes e futuros
  • 0... - Características desejáveis numa habitação
  • 01 – O calor e a humidade
  • 02 – A humidade nas habitações
  • 02a – A humidade nas habitações – como evitar
  • 03 – A ventilação nas habitações
  • 04 – Como ventilar uma habitação
  • 04a – Uma habitação ventilada
  • 04b – Bons hábitos de ventilação 
  • 04c - Mais ventilação natural
  • 05 – Como proteger do calor e do frio
  • 1... - Tipos de construção e soluções
  • 10 – O tradicional e o moderno
  • 11 - Uma ideia para um centro social 
  • 11a - Outra ideia para um centro social
  • 2... - Materiais de construção
  • 20 – Fabricando tijolos de adobe
  • 21 – Mistura para blocos de terra compactada (CEB) 
  • 21a - Mais sobre adobe e taipa 
  • 22 – Uma prensa manual para CEBs
  • 22a - A prensa CETA-RAM para CEBs
  • 3... - Utensílios de utilidade doméstica
  • 30d – Fogão rocket de tijolo para instituições
  • 4... - Agricultura e Permacultura
  • 40 - Captação de água 
  • 42 - Tomate seco ao sol
  • 5... - Artesanato e mais
  • 50 – Mochila capulana
  • 51a - Lixívia de cinzas  
  • 51b - Como extrair sebo da gordura animal 
  • 6... – Modelos empresariais
  • 60 – CEBs – um modelo de empresa social
  • 61 – Cadeias de valor
  • 62 – Cadeias de valor – introdução
  • 63 – Cadeias de valor - exemplos
  • 63a – Cadeias de valores – outro exemplo, o sabão
  • 64 – Cadeias de valor – como funcionam
Aceitam-se ideias e contribuições que possam ser incluídas neste blogue.
Quero que as ideias que forem aqui publicadas sejam da mais variada origem. Peço e agradeço desde já a colaboração de quem quiser participar.
 
Tudo isto pode parecer um objetivo demasiado ambicioso mas acho que não é assim tão inatingível.

42 - Tomate seco ao sol


Esta eu vou transcrever tal como encontrei na net:

Gente querida e amiga. Às vezes tenho tantas coisas para falar aqui mas o tempo é curto pra mim. Hoje cumpro o prometido e falo do meu mais novo projeto: desidratar alimentos ao sol. Ainda não sei se vai dar certo mas quando cismo com uma coisa, não descando enquanto não dou um jeito de fazer.
 
Tomate seco

Gosto muito de tomate seco e como já postei costumo fazer no micro-ondas pois gasto um tempo menor e no meu caso tempo é importante demais. Outro dia recebo um comentário de uma fofa chamada Mônica e passseando no blog dela estava lá uma desidratadora de alimentos ao sol. Fiquei maravilhada e fui pesquisar sobre a geringonça. Não é que tinha um modelo fácil de fazer. Comprei o material e chamei o marido para mãos a obra.
 
Tabuleiro secador de tomate

 Secador de isopor

Gente esses modelos são para desidratar alimentos o sol. Imagine vocês com o sol que temos durante o  ano aqui no Brasil. E nessas geringonças podemos desidratar tomates, legumes e até frutas. Um Show! Marido chegou do trabalho e ficou até mais de meia noite fazendo a caixa e eu ali do lado, dando palpites e apoio. Optamos por fazer uma de isopor pois é apenas uma experiência.
 
 O papel alumínio ajudar a concentrar o calor.

Veja o detalhe da tela (rede mosquiteira) para entrada e saida ar.

Arrumei o tomate e depois de pulverizar uma mistura (meio a meio) de açúcar e sal coloquei a caixa no sol, coberta por um vidro de 4mm.

Caixa com a cobertura de vidro

Estava feliz no sábado imaginando como iriam ficar deliciosos depois de prontos, quando observei no céu uma nuvem preta. Tiver que correr com tudo pra dentro. A minha festa acabou e terminei de fazer os tomates no micro-ondas mesmo. E continua chovendo muito por aqui. Poxa porque só descobrir essa coisa maravilhosa que é a desidratodora de alimentos depois que acabou o verão? Mas não desisto, estou esperando o sol pra começar tudo de novo.

Aos queridos e queridas que passam por aqui deixo o meu abraço carinhoso.

domingo, 29 de julho de 2012

51b - Como extrair sebo da gordura animal


Original Inglês de David Fisher
Nas etiquetas de muitos sabões vendidos comercialmente poderemos encontrar o taloato de sódio como ingrediente. Isto quer dizer que o sabão foi feito à base de gordura animal. Taloato de sódio é extraído do sebo, que é extraído da gordura animal, com a ajuda de um ingrediente alcalino, ou básico, como por exemplo a lixívia.
  
Há algumas razões simples para o uso do sebo de origem animal no fabrico de sabão:
  1. é de baixo custo,
  2. encontra-se com facilidade,
  3. faz um sabão muito bom.
Podemos não concordar com o uso de animais e produtos animais para o nosso consumo, mas o que é certo é que a espuma do sabão feito com gorduras animais é consistente e cremosa, o que é difícil de produzir com sabão feito à base de gorduras vegetais.
  
A gordura animal é mais difícil de guardar sem criar ranço. Por isso muitos sabões são feitos com gorduras vegetais. Mas se decidirmos fazer sabão com gordura animal há um processo a seguir para extrair o sebo da gordura animal.
  
1 – Gordura animal para extração de sebo
  
Gordura animal para extração do sebo
  
O talho local pode ser uma fonte deste ingrediente. E se de vez em quando dermos algum sabão como oferta, muito possivelmente teremos um fornecedor fiel da gordura que precisarmos.
  • 2 – 3 kilos de gordura animal cortada em pequenos pedaços ou picada
  • uma panela grande onde faremos o nosso sabão
  • água e sal
  • uma peneira ou um passador
  • uma tigela ou alguidar para arrefecer a gordura
  • umas colheres grandes (e um amassador de batata se tiver)
2 – Adicionar água e sal
  
Adicionar água e sal à gordura na panela

A extração do sebo consiste muito simplesmente em derreter a gordura animal para separar o sebo dos restos de carne, cartilagem e outras impurezas. 
  
Para extrair o sebo põe-se a gordura animal numa panela grande e adiciona-se água até cobrir tudo. Adicionam-se 2 colheres de sopa de sal para cada kilo de gordura.
  
Note que o sebo está cortado em pequenos pedaços. Também pode ser tudo picado. Quanto mais pequenos os pedaços mais rápida e mais eficiente é a extração do sebo. No talho talvez possam ajudar passando tudo pela máquina de picar. Depois não se esqueça de agradecer com uma oferta do sabão já feito.
  
3 – Aquecer a mistura
  
Mistura de gordura, água e sal a levanter fervura

Esta fase deve ser feita em lugar bem arejado porque o cheiro não é nada agradável!
  
Fazer a mistura ferver, e depois baixar o lume de modo a que fique uma fervura lenta. Os pedaços de gordura vão começar a libertar o sebo derretido e os restos de carne vão começar a cozer.
  
4 – Ferver em lume brando
  
Fervura lenta com restos de carne

O tamanho dos pedaços de gordura determinam o tempo que a mistura vai lever a cozer. Se a gordura tiver sido picada só serão precisos uns 20 a 30 minutos de fervura. Leva mais tempo se os pedaços de gordura forem maiores. Manter a fervura lenta e mexer com frequência. Pode-se ir amassando a gordura com uma colher ou outro instrumento para ajudar a espremer o sebo. 
  
5 – Ferver até derreter toda a gordura
  
Restos de carne e cartilagens
  
A extração do sebo estará completa quando a matéria sólida que restar na panela for só a carne cozida e cartilagens. Às vezes ficam ainda uns pedaços de gordura agarrados à carne, mas pode ser pouco e não valer a pena mais trabalho nesta fase. Se quizer pode espremer estes restos sólidos para extrair as últimas gotas de sebo. Mas cuidado! Está muito quente!
  
6 – Passar o líquido pelo passador ou peneira
  
Separação da carne e cartilagens do líquido com um passador
 
Com muito cuidado, retire a panela do lume e depeje o líquido quente por um passador ou peneira para uma tijela grande ou alguidar. No passador vão ficar os últimos restos de carne e cartilagem. Se fizer isto na pia da cozinha não deixe nenhuma gordura cair pelo cano porque esta gordura vai arrefecer ao contacto com os canos, vai solidificar e vai entupir os canos!
  
Depois de retirar a peneira ou passador a água vai começar a ir para o fundo e o sebo vai começar a vir à superfície.
  
Nota: Os restos de carne e cartilagem, misturados com um pouco de milho ou amendoim moído, ou farelo, pode ser comida de que as galinhas vão gostar.
  
7 – Deixar o líquido arrefecer
  
Disco de sebo à superfície

Deixar arrefecer até atingir a temperature ambiente. Depois com cuidado colocar a tigela ou alguidar num lugar fresco (ou no frigorífico se estiver disponível) e deixar solidificar de um dia para o outro. O sebo vai formar um disco sólido à superfície. Por baixo fica uma pasta gelatinosa que não vamos usar.
  
8 – Separar o sebo
  
Separar o sebo das paredes da panela
  
Separar o disco de sebo das paredes da tigela, panela ou alguidar com uma faca ou um garfo. Retirar o sebo que se irá partindo aos bocados e colocar noutra tigela.
  
O que resta é uma massa gelatinosa que não se deve deitar na pia da cozinha porque pode entupir os canos. Ou se deita no lixo ou, quando muito, na retrete. Pode ser enterrada na terra, mas cuidado porque pode atrair ratos.
  
9 – Limpar o sebo
  
Limpar bem o sebo de restos de gordura ou carne

Durante o arrefecimento podem-se ter acumulado pedacinhos de gordura ou carne no lado inferior do disco de sebo. Estes devem ser limpos com um pano molhado e o resto limpo com água fresca a correr. Estes restos também não devem ir pelo ralo da pia da cozinha. Podem ir para as galinhas.
  
10 – Sebo para fazer sabão
  
Sebo extraído pronto a ser usado para fazer sabão

Corte a placa de sebo em pequenos bocados e coloque-os num saco de plástico e guarde-os no congelador se precisar de guardar por muito tempo. É bom colocar a data de preparação. O sebo conserva-se bem no congelador até mais ou menos um ano. Quando precisar de sebo é só retirar o que precisar.
  
Note sobre a qualidade do sebo:
  
Pode-se extrair sebo da gordura de qualquer animal (vaca, gazela, ovelha, búfalo). Mas a qualidade do sebo depende da qualidade da gordura que se usa.
  
As qualidades de cada tipo de óleo ou gordura definem a qualidade e as características do sabão que desejamos fazer. Num outro blogue vamos resumir algumas qualidades dos óleos e sebos. Mas antes disso vamos fazer algum sabão com o sebo que conseguimos extrair com o processo que acabámos de descrever.

51a - Lixívia de cinzas

 
 Sabão caseiro não contém aditivos prejudiciais à pele
 
Fabricar sabão caseiro pode ser uma actividade muito compensadora. O fabrico de sabão caseiro permite experimentar com ingredientes diferentes para produzir sabões com aromas e texturas diferentes. 
  
O processo de fabrico é simples, controlado e o sabão só leva os ingredientes que nós quisermos. O fabrico de sabão segue um processo básico usado há séculos em muitas partes do mundo. Os ingredientes básicos são sebo e lixívia. A lixívia pode ser comprada no mercado mas também pode ser faita em casa usando apenas cinzas e água da chuva.
   
Os sabões comerciais são normalmente feitos com soda cáustica (hidróxido de sódio). O sabão caseiro, quando feito com lixívia extraída das cinzas, é feito com potassa cáustica (hidróxido de potássio). Como resultado temos um sabão caseiro que é menos agressivo à pele. 
  
O que é preciso
  • Óculos protectores, luvas de borracha e avental
  • Cinzas de lenha de madeiras duras
  • Água da chuva
  • 2 baldes de plástico
Instruções
 
Como fazer lixívia
  • Aproveitar a cinza (o pó branco ou cinzento claro) da fogueira ou do fogão a lenha. Retiram-se todos os pedacinhos de carvão ainda por queimar. Deve-se usar cinza que se obtém da queima de lenha de madeiras duras. Lenha de pinheiros não é boa. Lenha de árvores de fruto são boas. As cinzas da queima de folhas de palmeiras, se forem bem secas, também são boas.
  • Fazer um buraco com 3mm de diâmetro no fundo de um dos baldes (verde na imagem) e usar um pequeno pau para tapar o buraco. Este pau serve de rolha.
  • Deve-se colocar este balde acima do nível do chão, em cima de dois blocos de cimento por exemplo, de modo que o outro balde (vermelho na imagem) possa ser colocado por baixo para apanhar o líquido que sairá do balde (verde) de cima.
  
  • Colocar uma camada de 5cm de areia fina no fundo do balde (verde).
  • Encher de cinzas, até 1/3 da altura, acamando bem à medida que se vai enchendo.
  • Aquecer meio balde de água da chuva até começar a ferver.
  • Com cuidado despejar alguma desta água a ferver em cima das cinzas.
  • Estamos a produzir uma substância cáustica, lixívia, e deve-se ter muito cuidado.
  • Devem-se usar óculos protectores, luvas e avental. Podem salpicar água quente e cinzas. Ouvem-se assobios e estalidos á medida que a água quente entra em contacto com as cinzas.
  • Espere até que a água comece a ser absorvida pelas cinzas. Depois adicione mais água quente. Repetir até ter adicionado a água toda.
  • Retire o pau do fundo do balde de cima (verde) e deixe o líquido escoar todo para o balde inferior (vermelho). Este processo é lento e pode durar horas ou mesmo dias.
  • Quando deixar de sair líquido (lixívia) deite-o numa panela de aço e aqueça até começar a ferver.
  • Despeje este líquido de novo no balde com as cinzas (verde) e repita o processo acima até que atinja a concentração desejada.
  • Para verificar a concentração coloque um ovo cru no líquido.
  • Boa - o ovo cru deve flutuar no líquido apenas com um pouco fora do líquido.
  • Fraca - o ovo afunda, repita os passos acima.
  • Forte - o ovo flutua demais, adicionar água da chuva.
  • Deite o ovo fora! Não é bom para consumo.
  • Quando chegar ao ponto em que o ovo flutua apenas com um pouco acima do líquido, deixe esta solução de lixívia numa vasilha raza ao sol até o líquido evaporar deixando no fundo cristais de lixívia (potassa cáustica).
  • Guarde a lixívia em sacos de plástico para usar quando formos fazer sabão.
 
Cuidados especiais
  • Lixívia é uma base, é uma substância alcalina.
  • Estas substâncias são cáusticas e queimam ao contacto.
  • Podem provocar danos no sistema nervoso.
  • Tenha muito cuidado!
Recomendações importantes:
  • Use luvas de borracha resistentes a productos químicos.
  • Use óculos protectores de segurança.
  • Avental e proteção (vestuário) para a pele como calças, mangas compridas, etc.
  • Estude um pouco sobre como tratar emergências com productos químicos.
  • Especialmente no que se refere a lidar com lixívia caso toque na pele ou nos olhos.
  • Passe queimaduras por água fria imediatamente.
  • Não use vinagre.
  • Chame o telefone de emergências imediatamente.
  • Mantenha for a do alcance de crianças.
  • Não guarde perto de substâncias inflamáveis.
  • Lixívia corrói alguns metais.
  


segunda-feira, 16 de julho de 2012

40 - Captação de água

Nas minhas leituras deparei ontem com um artigo que me chamou à atenção,  
 
 
Este artigo foi publicado num blog que tem o nome de Um outro Moçambique é possível.
 
O artigo lembrou-me que eu tinha lido, uns dias antes, uma reportagem sobre um cidadão Indiano, de nome Rajendra Singh, que tem estado a usar métodos tradicionais para recuperar cursos de água que estavam secos há vários anos. Alguns até já estavam secos há décadas. As populações rurais passaram a ter água e novas possibilidades de plantaçãos e criação de gado.
   
  
Rajendra fez renascer a técnica tradicional de construir johads. Johads são represas pequenas e simples de contruir. Estas represas têm duas funções. Uma, a de reter as águas das chuvas permitindo que a água penetre no solo e recarregue os lençóis de água. Assim os poços de água podem funcionar melhor. A outra função é a de proporcionar água para o gado e para a rega. Os animais e plantas selvagens da região também beneficiaram e a natureza recuperou.
  
 
Fui fazer uma busca na net usando a palavra johad e as palavras equivalentes em Inglês, earthen check dams. Descobri alguns dos muitos documentos disponíveis sobre este tema e que podem ser descarregados destes sites:

Os documentos que encontrei são em Inglês, mas acho que deve haver muita informação noutras línguas. Quando eu encontrar eu publico aqui.
 
Mas se alguém procurar e encontrar, agradecia que me informassem.
 



sexta-feira, 13 de julho de 2012

21a - Mais sobre adobe e taipa

Taipa de pilão é um método de construção que está a ter um renascimento em muitos locais pelo mundo fora.
  
 
Outro método muito conhecido, o pau-a-pique, também conhecido como taipa de mão, também está a ser muito utilizado em construções de baixo custo. 
  
 
O blogue mestiçagens refere-se, num artigo de há quase um ano, a dois sítios na net que descrevem estes processos com muita clareza.
 
Um desses sítios é o Chácara da Boa Vista que descreve a fabricação de tijolos de adobe, e o outro é no howstuffworks onde Fernando Bussoloti descreve muito bem a construção de taipa de pilão assim como outros métodos ecológicos e amigos da natureza ao alcance de todos.

 

04c - Mais ventilação natural

No blogue mestiçagens apareceu um artigo interesasnte sobre ventilação de habitações.

Um pouco parecido com o que já aqui foi mencionado, mas que talvez tenha interesse.

Por isso aqui vai a referência.

11a - Outra ideia para um centro social

Esta outra ideia para um centro social segue linhas mais rectas e a sua construção poderá ser com abobe ou blocos de terra compactada.

  
Tem quatro divisões independentes que rodeiam um pátio que pode ser fechado com portões ou grades para maior segurança.
  
 
Uma cobertura mais elevada proporciona sombra e proteção da chuva a quem se desloca de uma divisão à outra. Uma árvore no meio pode dar muita sombra e proporciona um ambiente fresco que vai ajudar a refrescar todas as divisões deste centro.
 
Este modelo de que falo no blogue mestiçagens também pode ser consultado e descarregado do Google 3D Warehouse com o programa Google SketchUp, um programa fácil de usar e grátis.
 

11 - Uma ideia para um centro social

A construção tradicional presta-se muito bem para habitações, para moradias, mas também para outros edifícios.
 
 
Um centro social, com diversas divisões pode ser construida da mesma maneira que construimos uma moradia tradicional, uma moradia rural.
  

As dimensões das divisões podem ser conforme as necessidades, conforme os materiais disponíveis, ou conforme as capacidades ou as necessidades de cada comunidade.
Este exemplo, feito apenas como um modelo, e publicada no blogue mestiçages, é apenas uma ideia.

Para melhor representação, coloquei o modelo no Google 3D Warehouse.

terça-feira, 3 de julho de 2012

22a - A prensa CETA-RAM para CEBs

Não é fácil encontrar documentação sobre prensas para tijolos de terra compactada, quer de operação manual quer de operação motorizada, e por isso esta é um achado.
   

Esta é a prensa CETA-RAM para blocos de CEB
 
Documentação completa pode ser obtida nesta ligação:

  
http://dl.dropbox.com/u/35985762/The%20CETA%20RAM%20Block%20Press.pdf
   
Se, por qualquer motivo, esta ligação não der resultado, é favor contactar-me pois posso enviar-lhe uma cópia do documento em pdf.
 

sábado, 30 de junho de 2012

63a – Cadeias de valores – outro exemplo, o sabão


Vamos explorar outra cadeia de valores relacionada com o sabão. Parece um tema um pouco simples mas acho que pode ser muito útil para as nossas comunidades agrícolas rurais.
  
Sabão é feito com uma ou mais gorduras e com um produto químico alcalino ou básico como por exemplo a soda caustica. As gorduras podem ser de origem animal ou vegetal. A soda caustica pode ser obtida das cinzas das nossas fogueiras ou fogões a lenha com a ajuda de água da chuva.
 
Todos estes ingredientes podem ses obtidos nas nossas comunidades e o sabão pode ser vendido nos mais variados mercados. O sabão artesanal tem muito valor em muitos mercados. 
Um exemplo de uma cadeia de valores baseada no fabrico de sabão poderia ser:
  • alguém que cria gado produz e vende estrume aos agricultores
  • o criador de gado vende o gado para o matadouro
  • a pessoa do talho compra peças de carne para vender
  • o talho não vende muitos pedaços da gordura animal que os clientes não querem
  • uma pessoa recolhe a gordura animal para fazer sebo
  • na padaria usam lenha para cozer pão
  • uma pessoa recolhe as cinzas da padaria e de outros estabelecimentos
  • as cinzas são usadas em latrinas na comunidade
  • mas com água da chuva e cinzas essa pessoa também faz soda caustica
  • uma pessoa usa o sebo e a soda caustica para fazer sabão
  • essa vende o sabão na comunidade e no mercado da cidade
Aqui temos uma sequência de atividades que usam recursos já existentes, como a água da chuva, as cinzas e a gordura animal, para desenvolver um novo produto, o sabão, que vai dar trabalho a uma ou mais pessoas. O novo produto desta comunidade, o sabão, tem valor para troca com outros produtos e tem valor para gerar receitas em dinheiro pela venda nas comunidades vizinhas ou no mercado da cidade mais próxima. 
 
Além disto, certos recursos que não tinham valor antes do fabrico do sabão, como as cinzas e as gorduras animais, passaram a ter valor para o fabricante de sabão artesanal. O sabão artesanal é muito desejado porque não contém aditivos indesejáveis como muitas vezes acontece com o sabão de fabrico industrial. 
 
Algumas destas atividades podem ser feitas pela mesma pessoa numa comunididade e por pessoas diferentes noutra comunidade. Cada indivíduo em cada comunidade irá escolher o que vale a pena e o que não vale. Saberá escolher que atividades serão feitas pela mesma pessoa ou por pessoas diferentes. Em alguns casos vai ser preciso experimentar para ver o que dá melhor resultado. 
 
É sempre muito importante saber o que uma comunidade consome porque é isso que vai vender. Por vezes fabricamos o que sabemos fazer mas não é disso que a comunidade precisa. Sabão é sempre preciso embora haja já sabão no mercado. Mas se o sabão artesanal for melhor, tiver melhor cheiro, der menos alergias ou irritações na pele, ou torne a pele mais macia, o sabão artesanal vai vender melhor do que o sabão de fabrico industrial. 

O preço do sabão é importante para que possa competir com o sabão de fabrico industrial. Esse preço tem de cobrir os custos de recolha dos materiais, os custos de fabricação, e os custos de distribuição para poder render lucros. Esses custos vão depender de cada comunidade e de cada situação. Mas se a matéria prima já é de baixo custo, há muita oportunidade para fazer negócio com lucro.
 
Uma cadeia de valores é a utilização de várias atividades para benefício de vários participantes.
 
Nesta sequência de blogues vamos explorar vários métodos de fabrico para a soda caustica, o sebo de origem animal e para o fabrico do sabão. Vamos também explorar várias receitas para fabrico de sabão, não só com sebo de origem animal como com óleos de origem vegetal como o amendoim, o abacate, o caju, o coco e outras plantas que crescem nos nossos climas.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

63 – Cadeias de valores - exemplos


Vamos explorer algumas cadeias de valores que podem ser desenvolvidas nas nossas comunidades agrícolas rurais.
 
Na generalidade uma cadeia de valores deve ter tantas atividades quantas as capacidades específicas ou profissões que existam na comunidade.
 
Uma outra maneira de pensar é – como é que eu posso fazer o melhor uso das minhas capacidades? Eu poderei ser capaz de fazer muitas coisas diferentes mas nem todas poderão ser um bom uso do meu tempo. Talvez alguém possa fazer melhor do que eu ou a um custo mais baixo.
 
Será diferente para cada comunidade e para cada situação.
 
Um exemplo de uma cadeia de valores poderia ser:
  • alguém que cria gado produz e vende estrume
  • um agricultor especializa-se para produzir e vender sementes
  • outro agricultor compra sementes e estrume produz e vende milho
  • uma pessoa moe o milho faz e vende farinha e pão
  • outra pessoa vende a farinha e o pão no mercado da cidade
  • essa pessoa compra ferramentas na cidade e vende aos agricultores
  • um agricultor ensina agricultura às crianças na escola local
Outra cadeia de valores poderia ser:
  • um agricultor planta e vende amendoim
  • uma pessoa compra algum amendoim faz e cende óleo para cozinhar
  • uma pessoa vende oleo para cozinhar no mercado da cidade
  • uma pessoa coleta cinzas das fogueiras das aldeias próximas
  • uma pessoa compra óleo de amendoim e com as cinzas faz e vende sabão
  • uma mulher compra o sabão e lava roupa para fora
Poderiamos continuar. Algumas atividades podem fazer sentido e valer a pena em algumas comunidades mas noutras não. Cada comunidade saberá escolher o que vale a pena e o que não vale. Saberá escolher que atividades serão feitas pela mesma pessoa ou por pessoas diferentes. Em alguns casos vai ser preciso experimentar para ver o que dá resultado.
 
Comunidade rurais e agrícolas têm certas vantagens – muitos dos produtos necessários estão disponíveis com facilidade nestas comunidades. O que não é o caso nas cidades ou em comunidades maiores.
 
Valerá a pena consultar os artigos seguintes. Estão escritos em Inglês, mas para quem souber ler valerá a pena:
Talvez um dia se consigam artigos em português ou se consigam traduções. Até lá irei trazendo esse material para este blogue. Um pouco de cada vez.